sábado, 5 de dezembro de 2015

Onde se encontra a felicidade???

Assisti ao filme o Sorriso de Monaliza, que conta a história de uma professora apaixonada pela profissão que almeja mudar o mundo através dela. Confesso que quando entrei no magistério, não gostava da idéia de passar o dia com crianças, que na verdade era um medo de não dar conta. Este sentimento aumentou quando, sem ter o devido preparo, assumi o meu cargo de professora de educação infantil. No entanto, hoje me considero uma profissional realizada, e não me imagino mais fora da sala de aula. Me construi como professora lecionando, e hoje posso dizer que sou muito feliz, pois trabalho na melhor profissão do mundo: SOU PROFESSORA
Enfrento lutas diárias pra estar em sala de aula e muitas coisas me entristecem, mas quando estou com meus alunos, mesmo ainda não tendo sendo mãe, procuro tratá-los com o carinho que gostaria que meus filhos fossem tratados.
Hoje meu pai está completando 80 anos, e ele já está bastante debilitado, perdeu a visão há anos por causa da diabete, e só caminha com a nossa ajuda. Junto com a minha irmã, sei que dei o melhor presente que ele poderia ganhar, almoçando ao lado dele e da nossa mãe. Devido a correria do dia a dia e por trabalharmos longe, nem sempre conseguimos almoçar com eles, mesmo passando todas as tardes ao lado deles, já que trabalho somente no turno da manhã.
Isto pra mim define felicidade: Estar ao lado de quem amamos e fazer o que amamos!

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

A Aprendizagem mais marcante do Segundo Semestre



Este segundo semestre foi muito intenso em relação a novas interdisciplinas e novos conteúdos. Sou uma pessoa que gosta muito de conhecer coisas novas, gosto muito de ler, e desde pequena, sou fissurada por livros. Lembro-me que quando tinha uns 11 anos a minha mão não dava conta de comprar gibis, mas mesmo assim, confesso que a interdisciplina de Fundamentos de Alfabetização me assustava um pouco. Não que eu achasse que não seria capaz de entende-la, mas pelo fato de trabalhar com uma turma de Maternal 2, onde as crianças tem em torno de 3 e 4 anos. Eu pensava: - Mas como vou trabalhar com alfabetização com alunos tão pequenos?
Durante a aula 8 a professora Ivany passou alguns slides referentes aos nossos aprendizados, e entre eles havia a seguinte citação:
“As crianças – todas as crianças, garanto estão dispostas para a aventura da aprendizagem inteligente. Estão fartas de ser tratadas como infradotadas ou como adultos em miniatura .São o que são e têm direito de ser o que são: seres mutáveis por natureza ,porque aprender e mudar é seu modo de ser no mundo. Entre o passado imperfeito e o futuro simples está o germe de um presente contínuo que pode gestar um futuro complexo, ou seja, novas maneiras de dar sentido (democrático e pleno) aos verbos ler e escrever.” (Ferreiro, 2002, p. 39)
Após ler o slide, ela falou: - A única missão da Educação Infantil, é fazer com que os nossos alunos se apaixonem pelos livros!
Eu saí desta aula realizada, pois meu projeto anual possui como tema da Maleta Viajante onde cada aluno uma vez por semana leva a maleta contendo um livro, um caderno de desenhos' e lápis de cor para casa e a família conta a história e faz um desenho sobre o livro com a criança. No dia seguinte, a criança reconta a história para os colegas na rodinha, com a ajuda do professor.
Sem saber, eu já trabalhava com a alfabetização desde o início do ano e, saber disto, foi muito gratificante e emocionante, tanto que, no dia seguinte, eu comentei com a minha supervisora sobre isso e ela me disse que quando viu o meu projeto anual comentou com a diretora: “- Que legal a idéia da Lucimar introduzindo a alfabetização nos alunos dela!”
Além disto, em uma das atividades, a professora nos proporcionou a oportunidade de trabalhar com Grupos Áulicos, e confesso que nunca havia trabalhado deste modo, e me surpreendi muito com o resultado da atividade, que consistia em achar o maior numero de crachás com o seu nome, sem a foto, e algumas alunas foram as primeiras a achar sem a minha ajuda e ainda auxiliaram os seus colegas, até mesmo aqueles que não eram de seu grupo.
Está atividade contribuiu muito para a aprendizagem deles, e os marcou também, tanto que eu mudei a forma de fazer a minha chamada, agora em vez de apenas perguntar quem veio e quem não veio, a cada aluno que eu chamo eles me pedem para procurar os seus crachás. Claro que tem alguns que vão pela sorte, mas a maioria já reconhece seu nome sem precisar ter a foto ao lado, e tenho duas alunas que além do crachá delas, ainda reconhecem de todos os colegas, ajudando-os.
No ano que vem eu pretendo trocar de nível, quero lecionar para uma turma de pré escola, e vou implantar este projeto da Maleta Viajante com os conteúdos e objetivos do nível que eu pegar. Sei que será um grande desafio, uma vez que trabalho há 4 anos com Maternal 2, mas sei que sou capaz, pois amo o que faço e assim eu sou feliz!





Como entender a Infância???

Atualmente as pesquisas e estudos analisam a infância de modo amplo, ou seja, não existem estudos específicos para cada tipo de infância. Os pesquisadores não estão dentro da sala de aula, convivendo com estas multíplas infâncias como nós professores.
Como se pode entender a infância deste jeito?
Não acredito que isto possa ser possível, já que a realidade das escolas nem sempre é levada em conta.

domingo, 29 de novembro de 2015

Histórias Étnico-raciais

Nunca havia percebido que os autores usam tendências diferentes para ensinar as crianças sobre a consciência negra através da construção de seus personagens negros. 
Particularmente gosto muito de trabalhar com a história Menina Bonita do Laço de Fita, mas com certeza irei procurar as outras citadas na leitura para adicionar ao meu planejamento. Esta história se classifica na primeira tendência, pois a personagem principal é negra e o desfecho da história se dá quando a mãe explica que ela é pretinha por que seus antepassados também eram.
Na segunda tendência o enredo se dá através de situações do cotidiano das pessoas e a explicação do porque as pessoas negras possuem esta cor, também está na ancestralidade.
A terceira tendência me deixou curiosa a ler seus livros, pois geralmente tem um tema de auto ajuda, trazendo sempre uma lição para o leitor de como agir com o outro.
Eu sempre digo isto para meus alunos, quando existe alguma disputa ou agressão entre eles: nunca devemos fazer para o outro, aquilo que não queremos para a gente.

Infância Soft

Antes de assumir meu concurso, trabalhei por 9 anos em uma loja de fotografia, e certo dia o fotógrafo me perguntou se eu sabia o porque os clientes não queriam que seus filhos saíssem chorando nas fotos, e eu respondi que era por que queriam que seus filhos aparecessem alegres nas fotos, e ele me falou que não, que era por que os pais queriam demonstrar que eram bons pais, que as crianças foram bem cuidadas quando pequenas, que eram crianças felizes.
A leitura da semana 6 me fez lembrar desta conversa, que apesar de não ter sido em uma escola, foi muito pedagógica. A publicidade faz com que os pais pensem assim, ao usar imagens de bebês fofinhos e sorridentes nas propagandas, está é a infância Soft, a infância retratada nas propagandas.
Lembro-me que na época falei pra ele, mas muitas vezes a criança está chorando e a foto está linda, por que as crianças também choram e ele me respondeu: mas não é isto que a mídia mostra.

Erotização na publicidade infantil

Na aula 5 de Infâncias, estudamos a erotização nas propagandas infantis, e fiquei pensando no quanto as crianças tem perdido esta fase tão bonita da vida. 
As meninas estão usando salto alto e maquiagem cada vez mais cedo, e os meninos partindo para brincadeiras de lutas, o que causa ferimentos muitas vezes.
E qual a nossa missão como professores? Como agir quando uma menina chega na escola maquiada e usando salto alto?
Isto me fez lembrar de uma aluna de dois anos atras, que estava esperando a mãe para ir embora, e as mochilas dos colegas de outra turma estavam no corredor onde ela estava aguardando, a pessoa que deveria estar supervisionando ela, estava atendendo outra mãe, e quando eu cheguei ela escondeu um objeto, e eu perguntei o que ela estava escondendo, então ela me mostrou um esmalte, quando eu perguntei se era dela, ela disse que sim então disse pra guardar na sua mochila. Algum tempo depois, a  outra professora chegou para cuidar da turma dela, então fui bater meu ponto e a menina  pegou o esmalte e voltou a mexer em uma das mochilas. Neste momento a professora me chama e me mostra o esmalte que a menina havia pego da mochila da colega da pré-escola. Então chamei ela e conversei dizendo que não podíamos pegar algo que não é nosso, que isto era muito feio, e ela me prometeu que não faria mais.
Com esta atividade, fiquei pensando: a que ponto a publicidade influencia as nossas crianças, fazendo até mesmo que peguem o que não é seu para suprir seus desejos.


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Livro Freud e a Educação de Maria Cristina Kupfer - O Mestre do Impossível

A leitura deste livro me prendeu muito, tanto que quando comecei a ler, não consegui parar. Saber um pouco da história da vida de Freud, como ele começou seus estudos, a importância que a família dele deu a sua vontade de estudar, me fez entender um pouco por que existem tantas pessoas apaixonadas pelas idéias deste grande estudioso, e confesso que me apaixonei também.
Apesar de Freud não ter estudado diretamente a educação, suas contribuições para ela foram enormes. O estudo das Fases de desenvolvimento sexual é um grande exemplo disto.
Destaco aqui um pequeno trecho do livro, onde a autora nos explica um pouco disto:
"Assim, Freud revela que a  pulsão sexual, tal como a vemos em ação em  um adulto, é na verdade composta  daquelas pulsões parciais,  cuja  ação  se  observa  nas  preliminares  de  qualquer  ato
sexual.  Antes  do  advento  e  do  domínio  do  interesse  genital,  tais pulsões parciais são vividas livremente pela criança, cujo interesse pela questão genital – pela cópula propriamente dita – ainda não foi despertado." (KUPFER, 1989, p. 41)
A criança é instigada pelos seus instintos sexuais, não pelo fim reprodutivo  propriamente dito, mas pelo que lhe traz prazer.
A idéia de transferência, citada na leitura, me fez pensar em como somos importantes como educadores, muitas vezes tão importantes quanto os próprios pais.
""No  decorrer  do  período  de latência,  são  os  professores  e  geralmente  as  pessoas  que  têm  a
tarefa de educar que tomarão para a criança o lugar dos pais, do pai  em  particular,  e  que  herdarão os  sentimentos  que  a  criança dirigia  a  esse  último  na  ocasião  da  resolução  do  complexo  de
Édipo. Os educadores, investidos da relação afetiva primitivamente dirigida ao pai, se beneficiarão da influência que esse último exercia sobre a criança." (KUPFER, 1989, p. 85)
Acredito que temos que usar esta transferência a nosso favor, uma vez que o carinho e afeto são essenciais na educação, principalmente na fase da Educação Infantil, àrea em que atuo. As crianças desta fase, passam a maior parte de seu tempo na escola, com os colegas e professores, enquanto seus pais vão em busca do sustento.
Geralmente, quando possuem pais e mães, estes acabam não sendo presentes na vida dos seus filhos, cabendo a nós professores, suprir esta falta de carinho, deixando sempre claro para as crianças o papel que ali desempenhamos.
Referências:
KUPFER, Maria Cristina. Freud e a educação. O mestre do impossível. São Paulo: Scipione, 1989.