sábado, 4 de agosto de 2018

Os malefícios de uma Educação Bancária

Segundo Sartori (p.158):
"De acordo com Freire (1987), os pressupostos da educação bancária se assentam na narração alienada e alienante. Ou seja, há a perspectiva de educar para a
submissão, para a crença de uma realidade estática, bem-comportada, compartimentada, para a visão de um sujeito acabado, concluso. A educação bancária, nesse
sentido, repercute como um anestésico, que inibe o poder de criar próprio dos
educandos, camuflando qualquer possibilidade de refletir acerca das contradições
e dos conflitos emergentes do cotidiano em que se insere a escola, o aluno. Na
perspectiva freireana, a educação bancária tem o propósito de manter a imersão, a reprodução da conciência ingênua e da acriticidade."
Na verdade acredito que é isto que os nossos governantes querem, pois só assim terão cidadãos que não terão voz ativa na sociedade.
Cabe a nós professores trazer a realidade para a sala de aula, promovendo discusões sadias, para  propciar um conhecimento duradouro.

Filme O Aluno

Há alguns meses atrás, tive a oportunidade de assistir ao filme O Aluno. A história de um senhor de idade avançada que lutava para ter o direito de frequentar a escola. Em determinado momento do filme, este senhor é convidado a estudar em uma turma de ensino adulto, mas acaba não se adaptando, pois não se identifica com o local, que é frequentado por pessoas que não possuem o interesse em estudar.
Na turma regular, além de aprender a ler e escrever, ele auxilia a professora e ensina os outros alunos.
As vezes precisamos pensar em como os nossos alunos podem aprender melhor, e de que forma. A professora do ensino regular conseguiu satisfazer estas questões, pois assim como seus alunos menores, o senhor também tinha muita força de vontade para aprender.

Novas Tecnologias e a concorrência com as Velhas metodologias

A cada interdisciplina eu observo mais o modo como dou aulas e busco sempre inovar. Confesso que durante este ano não está sendo nada fácil, pois como estou desdobrada um turno, estou tendo que sucumbir ao que me é exigido. Com tantas novas tecnologias, o município onde eu trabalho resolveu implantas o "arcáico" método de apostilas. Além de não ir de acordo com a realidade dos alunos, os conteúdos que nela contém são fora do que os alunos aprendem durante o ano.
Segundo Schemeler (2006, p.39):
"Nós temos muito a dizer a eles, mas eles também têm algo a nos dizer. Nem tanto o céu, nem tanto a terra. Qual é a distância que existe? Onde ela está? Quem define o limite? Vamos estabelecer uma parceria? Pais, filhos, professores, alunos, idosos, jovens, adolescentes, crianças, precisam se comunicar, interagir, se entender."
Como isto é possível quando temos que trabalhar com uma metodologia engessada, que não atende as expectativas nem dos alunos nem mesmo as próprias... Confesso que é bem difícil

Inovação Tecnologica x Aulas tradicionais

Então você possui o melhor computador para planejar as aulas, a melhor impressora, uma internet super rápida, e utiliza para planejar o quê? Folhinhas que os alunos irão apenas pintar para passar o tempo.
Parece piada, mas é isto que acontece geralmente nas Escolas de Educação Infantis, as professoras pensam muito em trabalhos feitos em folhinhas, e esquecem de como a internet está cheia de boas idéias construtivas, onde as crianças aprenderão com muito mais prazer.
Segundo Shelmer (2006, p. 38):
"É preciso saber identificar quais são as metodologias que nos permitem tirar o máximo de proveito das TDs em relação ao desenvolvimento humano, ou seja, elas precisam propiciar a constituição de redes de comunicação nas quais as diferenças sejam respeitadas e valorizadas; os conhecimentos sejam compartilhados e construídos cooperativamente; a aprendizagem seja entendida como um processo ativo, construtivo, colaborativo, cooperativo e auto-regulador."
Assim sendo, de nada adianta termos os melhores recursos tecnológicos se não soubermos aproveitá-los.

Avaliação: Qual a melhor forma?

Chegamos ao final do semestre e chega então a hora de avaliar o trabalho desenvolvido com os alunos. Na minha turma de Pré B, entro quase todos os dias, não tenho hora Planejamento pois estou desdobrada na minha função, e para fazer os pareceres descritivos destes alunos tive muita facilidade.
Confesso que ter hora planejamento é muito bom, mas o fato de estar ativamente presente todos os dias em sala de aula, auxilia muito na avaliação na Educação Infantil, uma vez que está é feita continuamente, através dos trabalhos desenvolvidos.
Na charge acima, vemos um senhor avaliando diferentes animais. Se fosse dada a mesma prova para todos fazerem com certeza alguns se sairiam melhores que os outros, pois possuem habilidades diferentes. Assim é na avaliação contínua: o aluno é observado conforme suas habilidades, dando equidade de condições para que todos tenham um bom desempenho.

Como ter alunos critícos, aceitando trabalhar como o governo exige

Atualmente no município onde trabalho a SMEC implantou o uso de "cartilhas" do Sistema de Ensino Positivo, para ser trabalhado nas turmas de Pré Escola Nível B.
Este material é totalmente fora da realidade dos alunos, e em nenhum momento nos foi perguntado o que achávamos de tal material.
Confesso que como professora desdobrada no turno ta tarde sinto medo de reclamar e acabar perdendo a minha vaga, mas ao mesmo tempo vejo que é impossível trabalhar e obter sucesso utilizando este material.
Segundo Becker (P.11):
" Em nossas pesquisas, ou em observações informais, detectamos o seguinte comportamento: professores que participavam de greves do magistério público estadual ou federal, como “militantes progressistas”, mostrando compreensão - a nível macro - do que acontecia na economia e na política, ao retornar à sala de aula (nível micro), após o término da greve, voltavam a ser professores plenamente sintonizados com o modelo A. Sua crítica sociológica, freqüentemente lúcida, exercida, via de regra, segundo parâmetros marxistas, mostrava-se incapaz de atingir sua ação docente (prática); também não atingia seu modelo pedagógico (teoria)."
Assim sendo é preciso que a nossa classe lembre-se que não é só na rua que precisamos ser critícos, esta atitude deve estar presente em sala de aula com os nossos alunos.

Planejar é preciso...

Atualmente trabalho com duas turmas de pré escola, uma nível A e a outra nível B. Geralmente busco planejar as aulas para a semana de acordo com os meus planejamentos na escola. Pórém, quando se trata da Educação Infantil, isto nem sempre dá certo.
Na minha turma da manhã, canso de chamar o meu auxiliar para buscar atividades que estejam de acordo com  a realidade das crianças, pois além dele estar há mais tempo com os alunos, está sempre disposto a ajudar.
Segundo Rodrigues (p. 2) nos diz:
"Em outras palavras, "planejamento é processo constante através do qual a preparação, a realização e o acompanhamento se fundem, são indissociáveis". Ao revisarmos uma ação realizada, estamos prepa­rando uma nova ação num processo contínuo e ininterrupto."
Assim sendo, acredito que o planejamento vai muito além do que está escrito no diário, está presente até mesmo após a aula ser executada.
Referências:

 Planejamento: em busca de caminhos 

Maria Bernadette Castro Rodrigues1