quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Ainda sobre dar aula para duas turmas de Pré A

NãoNo semestre passado fui indagada por uma colega, sobre as atividades que aplicava nas minhas turmas de Pré A, e fui categórica em falar que fazia atividades diferenciadas para as duas turmas, pois se tratavam de crianças diferentes, sujeitos com personalidades diferentes e que tinham habilidades e dificuldades diferentes.
No dia de ontem, eu resolvi por esta minha afirmação a prova, colocando a mesma atividade para as duas turmas.
Como encerramento da Semana Farroupilha, passei através do Rádio a música nativista Guri, interpretada por César Passarinho, que conta a história de um homem simples apaixonado pela terra onde ele vive. Na minha turma da manhã, onde a sala fica distante do banheiro (que é um só para as 4 turmas de cada turno usarem), as crianças além de ouvirem atentas tanto a música, quanto a minha explicação da letra, fizeram desenhos maravilhosos, que contavam a história da música, já na turma da tarde, considerei a atividade um desastre, pois além de ser interrompida diversas vezes por fatores externos, os alunos não se encantaram com a história que a música conta, não chamou a atenção deles escutar uma melodia sem dançar, apenas para apreciá-la, quando pedi para que fizessem o desenho, a grande maioria fez na pressa, riscaram sem o intuito de contar o que aprenderam, para então fazerem outra atividade.
Como profissional tive dois momentos: O primeiro que foi pela manhã, onde sai realizada da sala de aula, pois consegui apresentar não somente uma história de uma forma não convencional, mas também apresentei um outro tipo de música que as crianças não estão acostumadas a ouvir, a música nativista gaúcha. E o segundo momento em que fiquei muito triste, por não ter conseguido atingir os meus objetivos.
Chegando em casa após o trabalho, me peguei pensando e lembrei da pergunta sobre o meu planejamento, e mais uma vez, além de responder com a minha prática, relaciono o que estou aprendendo sobre diversidade com a sala de aula. A turma da manhã, vêm comigo desde o início do ano, então consegui fazer com que eles se apaixonem por histórias assim como eu, seja de qual forma for contada. Já a turma dá tarde, que assumi em abril, precisa do lúdico para se envolver com a história, ou seja, não adianta eu preparar uma aula que eu ache muito interessante se não tiver o faz de conta, por exemplo, se eu tivesse levado a mesma história, contada com um fantoche, pode ser que chamasse mais a atenção deles.
Assim sendo, eu volto a reafirmar: alunos diferentes, necessidades diferentes, isto para mim, é um tipo de diversidade na educação!
Obs: Esta postagem ainda será editada, pois procurarei um texto para embasá-la.
Referências: Música Guri, interpretada por César  Passarinho. Composição: João Batista Machado / Julio Machado Da Silva Filho

domingo, 10 de setembro de 2017

Diversidade na Cultura Litorânea

É com um imenso orgulho que inicio está postagem...
Na ultima sexta-feira fiz a primeira apresentação com meus alunos sob minha responsabilidade, sozinha, sem parceira de turma para dividir os méritos!
O tema escolhido para as apresentações, foi o  Jeito Cidreirense de ser, e assim que ouvi o tema, logo me lembrei de uma música que tive o prazer de prestigiar no festival da canção de Salinas. Música de autoria de Ivan Therra, a qual falava de uma Doceira que vendia seus quitutes a beira mar. Uma guerreira que buscava o sustento da sua família, vendendo sonhos, pé de moleque e rapadura, a bordo de sua carroça. 
Assumi a responsabilidade da apresentação, e junto com meus alunos da turma de Pré A da tarde, homenageando a Dona Zinha. Mas o que era para ser apenas uma homenagem a uma pioneira, se tornou algo muito grande, pois além de consagrar uma mulher negra que trabalhava e ainda trabalha para trazer o sustento para a sua casa, a apresentação serviu para mim como um tributo a minha mãe, que criou os meus 4 irmãos vendendo verduras em uma carroça e quando chegava no início da rua gritando Olha a Verdureiraaaaaa, no meio da rua os seus fregueses fiéis já estavam esperando. Tenho muito orgulho em dizer que sim, minha mãe vendeu verduras de carroça para sustentar a família, sim meu pai (após o meu nascimento) largou as obras e assumiu a carroça fazendo fretes  para continuar o seu legado, e é graças a eles que eu sou quem eu sou hoje.
Mais uma vez eu agradeço aos meus pais, por todo sacrifício que fizeram, por fazerem parte desta cultura litorânea que eu tanto amo, e por terem sonhado um dia em ter uma filha Professora! Sonho este que eu realizo e me realizo todos os dias!!!
No final da apresentação abrimos um banner com a frase de minha autoria:
"Ser Cidreirense é trabalhar a beira do mar, gritando: Olha o Sonho, o pé de moleque, a Rapadurinha! Viva a Dona Zinha!"
E acredito fielmente nisto. Este é um exemplo de Ser Cidreirense, de ser litorâneo, de uma mulher batalhadora e que não desiste dos seus objetivos...
Na foto abaixo estou com a Dona Zinha, meus alunos e com as colegas que me auxiliaram na execução da homenagem.

Referências: Doceira - Letra e melodia de Ivan Therra. Participou III Salina da Canção - 2016 - Balneário Pinhal - Conquistando o Troféu de Melhor Música do Festival na opinião do público. A interpretação é de Daniel Maíba.

sábado, 26 de agosto de 2017

Minha relação com a escrita


Durante o período de férias da faculdade, pude refletir sobre a minha relação com a escrita, e percebi que entre outras coisas, a escrita funciona para mim como uma terapia, onde eu esponho minhas angústias, minhas aprendizagens, minhas reflexões...
Esta semana foi mais uma semana difícil, pois perdemos duas colegas professoras em um acidente de carro, que assim como eu saíam de seu município todos os dias para trabalhar em outra cidade. Pegavam todos os dias a mesma estrada que eu pego, para levarem o conhecimento até os seus alunos... Não tinha intimidade com elas, conhecia apenas de vista, mas me peguei pensando que poderia ter sido eu e meus amigos que passamos minutos após o acidente pelo local. Não paramos, pois não reconhecemos o carro e já haviam muitos carros parados, creio que o nosso motorista tenha pensado: "iremos ser mais um bando de curiosos". Mas naquele momento, jamais pensamos que poderiam ser colegas, apenas rezamos para quem quer que fosse, estivesse bem...
Pois então, após chegar na escola, descobrimos quem eram as vítimas... Muitos amigos entraram em contato comigo ou com o meu esposo pensando que fosse eu, pois uma das professoras era conhecida por Prof° Lu, assim como eu. Ontem ainda uma aluninha minha me tirou lágrimas dos olhos, quando perguntou se as professoras tinham morrido e eu respondi que o papai do céu precisava de duas ajudantes lá e chamou elas, então ela me respondeu: eu não vim ontem por que achei que fosse tu Prof°...
E mais uma vez utilizo da escrita para expor meus sentimentos e angústias... Acredito que a minha escrita seja melhor do que a minha fala (mas sei que ainda vou melhorar muito), e isto não é de hoje... Na adolescência fazia um diário virtual, onde eu chorava muito enquanto escrevia, desabafando minhas tristezas e contanto as minhas alegrias.
Durante a aula de música dos meus alunos o professor Marcelo Maresia, fez uma música para eles, e me incluiu, pois eu fiquei na sala fazendo borboletas de papel. Em um trecho da música ele diz: "a professora recorta borboletas de papel, num cortador esquisito, brinca de papai do céu, fazendo borboletas de papel..."
Como gostaria às vezes, de ter o poder do "papai do céu" para poder tirar não somente as minhas angústias, mas dos meus alunos, dos alunos, amigos e familiares destas colegas que nesta triste semana perderam a vida... Como seria bom se tivéssemos o poder de tirar a tristeza do coração das pessoas... Mas ao mesmo tempo, creio que tudo tem a sua hora, nada acontece por acaso ou sem um porquê...


sábado, 5 de agosto de 2017

Primeira visita do Conselho Municipal de Educação no Anexo CIEP

São 4h da manhã, e eu perdi o sono mais uma vez...
Esta semana foi uma das mais difíceis desde que assumi as turmas no Anexo CIEP. Três colegas muito queridas perderam seus contratos, e apesar de nós concursadas e desdobradas continuarmos no anexo, sentimos muita a falta delas... É como se nós mesmas estivéssemos perdido o nosso emprego.
Além disso, ontem recebemos a primeira visita do Conselho Municipal de Educação, e a nossa orientadora educacional, estava em uma reunião na SMEC, assim como o supervisor. As componentes do conselho adentraram a minha sala por volta das 14:30h, sem me pedir licença foram perguntando de qual escola eu era e para quais escolas trabalhava. Meus alunos estavam brincando com seus brinquedos, pois era sexta-feira (dia do brinquedo), haviam acabado de sair da aula de música e eu estava fazendo a minha chamada do mês, que havia acabado de receber. Conversei com elas, explicando que era concursada 20 h e estava desdobrada mais 20h. Elas perguntaram a quantidade de alunos que eu tinha e eu disse que tinha 23 alunos em cada turma, então perguntaram se eu tinha alunos misturados de escolas diferentes na mesma turma e eu respondi que não sabia, pois estas informações só teriam com a pessoa que fica conosco sempre (a orientadora educacional). Elas observaram um pouco a sala e saíram em direção a sala multiuso.
Quando cheguei para tomar café, elas estavam mexendo em tudo, cadernos de chamada, computador, fichas dos alunos, livros pontos...
Confesso que até a fome perdi, pois apesar de não ter nada a temer, elas nos deixaram constrangidos, mexendo em tudo sem a pessoa que fica lá direto orientar, se isto é correto ou não não sei.
Dentre todos os acontecimentos da tarde, chamaram a nossa orientadora e a diretora da escola onde está localizado o anexo (CIEP) para uma reunião, e acreditem ou não, mas depois de todos os desafios que enfrentamos desde o início do ano, agora corremos o risco de ter que sair do Anexo, pois segundo elas têm muitas coisas irregulares.
E você que está lendo esta postagem agora sabe por que eu perdi o sono. Por que como uma colega que saiu esta semana nos falou: Nosso trabalho é com crianças, não mexemos com papéis, se fosse com papéis seria tudo mais fácil!
E acredito nisto fielmente, uma vez que fico pensando nestes alunos, que em menos de uma semana perderam as professoras que estavam com eles desde o início do ano, e agora estão correndo o risco de ter que trocar de escola...
Minhas duas turmas de Pré A continuam comigo, mas me preocupo muito com eles também, que querendo ou não possuem uma rotina dentro da escola e se tiverem que trocar de escola agora, como vai ser? Será que vou com eles? Será que o Conselho Municipal de Educação não teria que ter feito esta visita no início do ano, onde nós como professoras fazíamos milagres, num local quase sem recursos...
É com lágrimas nos olhos mais uma vez, que encerro está postagem... Pensando no que será dos nossos alunos... O que será dos meus colegas... O que será de mim se assim como as minhas colegas, tiver que deixar meus aluninhos e voltar para a EMEI Vovó Jura, onde estou lotada...

quarta-feira, 12 de julho de 2017

A união faz a Força

Como mencionei inúmeras vezes aqui, neste ano decidi enfrentar um novo desafio, sair do conforto da escola e trabalhar em um anexo das escolas infantis do municipio dentro de uma escola estadual.
A equipe foi formada por alguns concursados, desdobrados e outros contratados, e percebi desde o inicio que havia uma certa rachadura que não deixava o grupo ser unido.
Durante esta semana estamos fazendo atividades diversificadas pré-recesso, e hoje encenamos a história O Sanduiche da Dona Maricota, e foi uma experiência muito boa, pois além de divertir as crianças e envolvê-las na prática da alimentação saudável, conseguimos unir o grupo em prol as crianças.
Acredito que se esta união estiver voltada para a busca dos nossos direitos, acontecerá uma possível escola democrática.




quarta-feira, 5 de julho de 2017

Tempo X Faculdade X Vida

Chegamos ao final de mais um semestre, e a promessa que fiz nos inicio deste, mais uma vez não consegui cumprir: Fazer as atividades e postagens no blog em dia!
Trabalhar 40 horas, dar conta da casa, de pais que precisam de maior atenção devido a idade, planejamento e ainda fazer as atividades em dia não é nada fácil.
Hoje faço esta postagem, não como desculpa, ou para tentar diminuir a minha culpa, mas sim para fazer uma reflexão sobre o que estou fazendo de errado, pois já se passaram cinco semestres e a cada semestre me vejo mais envolvida e ao mesmo tempo mais enrolada. Envolvida com o conhecimento, amo aprender, e a cada aprendizagem cada conhecimento que adquiro vejo que me abrem novos caminhos e possibilidades. Mas ao mesmo tempo o que ganho trabalhando 20h não é suficiente para acabar a minha casa, para pagar as minhas contas, e assim me sinto enrolada, sem muitas vezes conseguir aproveitar melhor o que aprendo, sem conseguir formar a teia de conhecimentos com as minhas colegas. 
Enfim, mais uma vez prometo que tentarei deixar o cansaço, frustações e insatisfações de lado quando estiver em casa e fazer os meus deveres em dia.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Democratização na Escola: Sonho ou Realidade

 Após tanto ler sobre democratização na escola me peguei pensando sobre a realidade que vivencio. No município onde trabalho os cargos de direção ainda são ocupados por indicação da prefeitura. Em algumas escolas, os gestores já estão abrindo a escola para a democracia, perguntando as opiniões dos professores e funcionários nas decisões relacionadas a escola. Porém em sua grande maioria vejo escolas com Gestões Técnico-Científicas, onde as ordens vêm de cima e ninguém pode opinar, apenas obedecer.
Atualmente trabalho em uma escola diferenciada, e vivo na pele este modelo de gestão Técnico-cientifíca, e lá acredito que não há possibilidades de fazermos acontecer uma democracia de verdade.
Mas acredito que sim, uma escola democrática é possível, pois existem outros municipios da região, que já fazem a escolha dos diretores por voto e a comunidade escolar possui voz ativa.
Percebi isto na escola onde fiz a entrevista com o presidente do conselho escolar. Localizada aqui no município onde resido (Tramandaí), pelo que a presidente me falou, a democracia caminha a passos largos. Agora cabe a nós, como escola, sairmos da nossa zona de conforto e lutarmos pelos nossos direitos.